Opinião
O Fim do "Mal Menor": Por que PT e Bolsonarismo São o Oxigênio Um do Outro Que Asfixia A Nova Geração
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Até ontem, chamavam o adversário de fascista e abusador. Hoje, Lula e Alckmin dividem o palanque e abraçam velhas raposas do Centrão e do MDB, como se nada tivesse ocorrido. A base bolsonarista flertou com um golpe de Estado e o 8 de janeiro é a prova, mas o seu núcleo político não precisa de tanque na rua. O bolsonarismo aprendeu a jogar o jogo democrático e ganhou. Eles conquistaram a maioria no Congresso mapeando e atendendo, retoricamente, às dores do trabalhador comum: o estrangulamento por impostos e a insegurança.
O eleitor que os acompanha, na imensa maioria, não é um direitista ideológico leitor de teóricos conservadores. É um antipetista exausto que só quer mudança. A esquerda, enquanto isso, vende o pânico moral de que o Brasil sempre está a um passo da ditadura, exigindo que engulamos o petismo como única salvação. O problema: para o bolsonarismo morrer, o petismo estruturado precisa morrer junto. Um se retroalimenta do outro; são o oxigênio um do outro.
A ironia trágica é que o PT pariu esse cenário. Eles defendem a democracia, mas passaram anos asfixiando outras lideranças de esquerda para reinarem sozinhos. Vide Marina Silva em 2014, quando despontou como terceira via e o PT soltou uma campanha brutal insinuando que a autonomia do Banco Central faria a comida sumir. O rolo compressor passou sobre Ciro Gomes. Ele construiu um projeto nacional-desenvolvimentista e foi isolado. No Ceará, em 2022, traído e espremido por máquinas partidárias, Ciro esteve no centro de disputas eleitorais morosas. Aliados denunciaram lentidão judicial contra fake news e desequilíbrio no tempo de TV, com interferência do Supremo, reforçando a percepção de que a máquina petista esmaga terceiras vias.
Para manter poder, o PT aliou-se ao fisiologismo mais podre. A ditadura tornou-se a do dinheiro e do patrimonialismo. O partido distanciou-se do trabalhador e abraçou um neoliberalismo travestido de discurso social. O novo Arcabouço Fiscal é a prova. Para agradar o mercado e manter o tripé macroeconômico, asfixia-se Saúde e Educação para pagar juros estratosféricos aos rentistas, cogitando-se cortes sociais. É tiro no pé: esmagam a base enquanto jorram R$ 60 bilhões em emendas. A dita soberania é de palco. Fizeram privatizações brancas, financiaram "campeões nacionais" falidos e viram o setor elétrico ser entregue ao capital estrangeiro. Tudo com apoio capitalista.
Entra a pior faceta: a relação com quem produz. Dizer que a classe média é o "câncer do país" ecoando a elite acadêmica desconectada é miopia política. Essa elite tem nojo de quem trabalha por conta própria e nunca abriu um CNPJ. Não entendem a pancada de pular do MEI para o Simples, nem o pânico de impostos cobrados na fonte (como no "split payment" ou na Substituição Tributária), o que suga o capital de giro e favorece oligarquias.
A esquerda precisa entender que a classe média não é o problema; é a solução. O desafio é mostrar que o dono da padaria não joga no time do CEO do banco. Os interesses do grande e pequeno capital são contraditórios. O grande burguês pega crédito subsidiado no BNDES e depende de o pequeno ser moído por juros para não ter concorrência. Quando a esquerda hostiliza esse pequeno, ela o entrega à direita. Ele vota em quem diz "vou cortar seu imposto", porque seu suor é validado.
Como virar o jogo? Com propostas reais e rompimento com o petismo. É preciso debater política monetária para forçar a queda de juros e dar fôlego ao consumo. Aumentar os limites de faturamento do MEI e do Simples. E o principal: a Reforma Tributária deve cobrar de onde há dinheiro, taxando lucros e dividendos dos super-ricos. Taxar o topo desonera o consumo, impede a tributação do pequeno antes do lucro e aumenta sua capacidade de reinvestir, contratar e concorrer com grandes.
Essa ausência de projeto real, a bomba fiscal de 2015 e a corrupção geraram o antipetismo de massas. Lula envelhece sem sucessor. Sobrou Fernando Haddad, o "Taxad", encabeçando a caça às blusinhas enquanto a mídia e os bancos batem recordes de lucro. O desgaste é tão brutal que, em 2026, progressistas em São Paulo votaram em Tarcísio só para não ter Haddad.
Do outro lado, encontra-se uma direita que é vácuo absoluto de ideias. O bolsonarismo não tem projeto industrial e não rompe o rentismo. Ao invés de defender nossa riqueza, batem continência aos EUA e tentam lotear o Brasil (PEC das Praias). Não são liberais e nunca leram conservadores clássicos. São reacionários reféns de performance superficial que sobrevivem como antítese do PT. No palco, defendem moralidade; nos gabinetes, chafurdam na corrupção rasteira.
Por isso, o "mal menor" não cola mais. A nova geração não se prende à dicotomia. Movimentos como o Missão, novos Trabalhistas e a renovação da esquerda radical convergem: é preciso romper com as elites políticas e financeiras. Quem pensa o Brasil estruturalmente entendeu que a polarização virou teatro de tesouras, com cartas marcadas por grupos que jogam para manter privilégios. Não dá para escolher entre um projeto que asfixia a base com impostos para banqueiros e outro que rifa o patrimônio do país. A ruptura é necessária frente às concorrências internacionais e à revolução tecnológica.
Fontes:
* Marina Silva (2014): Ataque à autonomia do BC. [UOL](https://noticias.uol.com.br/)
* Ciro Gomes (2022): Disputas e tempo de TV. [Estadão](https://www.estadao.com.br/)
* Arcabouço Fiscal: Teto para Saúde e Educação. [Auditoria Cidadã](https://auditoriacidada.org.br/)
* Emendas: Recorde de R$ 60 bilhões liberados. [Agência Senado](https://www12.senado.leg.br/noticias)
* Split Payment: Retenção automática na fonte. [Gov.br](https://www.gov.br/)
* Classe Média: PT criticou padrão de consumo. [Jovem Pan](https://www.youtube.com/)
* Taxação de Blusinhas: Remessa Conforme. Gov.br
* Lucro dos Bancos: Recordes históricos. [Investidor10](https://investidor10.com.br)
* Haddad x Tarcísio: Desgaste eleitoral em SP. [G1](https://g1.globo.com/)
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