Eleições 2026 · Análise
Estratégias para o 2º turno: como Lula pode reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro
Com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%, Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno. O cientista político Juarez Guimarães (UFMG) explica a força bolsonarista e aponta os caminhos para a virada.

A disputa pela Presidência da República caminha para uma etapa decisiva após um primeiro turno acirrado e cheio de reviravoltas. Com 47,03% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro (PL) liderou a votação inicial, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alcançou 45,16%. O resultado, impulsionado pela migração de votos na reta final e pelo crescimento expressivo do PL no Congresso Nacional, acendeu o alerta na campanha governista e reacendeu o debate sobre os rumos do país.
Para analisar as causas dessa movimentação e os caminhos da esquerda no segundo turno, o cientista político Juarez Guimarães, professor da UFMG e membro da Fundação Perseu Abramo, avalia que o cenário reflete uma profunda instabilidade, em que nenhuma das forças conseguiu formar antecipadamente uma maioria sólida.
Os fatores por trás da força bolsonarista
Segundo Guimarães, a sustentação da candidatura de Flávio Bolsonaro passa por três pilares principais:
- Normalização política: a capacidade do eleitorado conservador de absorver e minimizar controvérsias, escândalos e denúncias associadas ao nome do candidato e ao histórico de sua base política.
- Articulação digital e desinformação: a presença de redes organizadas de comunicação que provocam viradas na reta final da eleição, muitas vezes fora do alcance das pesquisas tradicionais.
- Subestimação do adversário: a leitura equivocada, por parte de setores da oposição ao bolsonarismo, sobre o alcance e a resiliência dessa força política junto à população.
A essa combinação soma-se o desgaste trazido pela percepção econômica das famílias, fator que abre espaço para o discurso de oposição.
Nenhuma das forças conseguiu formar antecipadamente uma maioria sólida: o segundo turno será decidido por quem mobilizar o eleitor que ficou de fora.
Os caminhos para a virada de Lula
Para que o atual presidente consiga reverter a desvantagem nas urnas, o analista aponta que a campanha precisa adotar uma postura mais assertiva e diretamente conectada às necessidades cotidianas do eleitorado. As principais diretrizes incluem:
- Combate à abstenção e resgate de votos: mobilizar o eleitor que faltou, votou nulo ou em branco — um contingente decisivo para mudar o placar.
- Elevação do tom de alerta: ampliar a rejeição ao adversário, evidenciando os impactos que uma vitória do projeto oposto teria sobre os direitos sociais e trabalhistas.
- Pauta de futuro e bem-estar: apresentar propostas concretas de impacto direto na vida do trabalhador, reposicionando o discurso em torno da esperança.
Entre as pautas sugeridas para reengajar a base popular e os indecisos estão o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1, sem corte salarial, a implementação da tarifa zero no transporte público e ações firmes para a redução dos juros, visando à recuperação real do poder de compra dos brasileiros.